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Porto Sul

Novos investimentos devem mudar perfil da região Sul do estado

Flávio Costa | Redação CORREIO

Após sofrer com a decadência da cultura cacaueira a partir da década de 80, a região sul da Bahia voltará a ser protagonista no cenário econômico estadual a médio prazo, de acordo com avaliação de empresários e membros do governo do Estado. A análise positiva se deve a investimentos bilionários, principalmente na área de infra- estrutura,que a região receberá nos próximos anos.



Sede do futuro Porto Sul, do trecho final da ferrovia Oeste Leste e de um novo aeroporto, a cidade de Ilhéus (distante 458 km de Slavador) deve se transformar num dos pontos logísticos mais importantes do país. Somam-se a este panorama a descoberta recente de petróleo a região da Bacia de Jequitinhonha e de minério de ferro em Caetité.

ENTRAVE

Um dos entraves da economia baiana consiste justamente no custo do transporte dos produtos para o mercado exterior. Para além de baratear o escoamento da produção de grãos e de minério de ferro, a expectativa do empresariado é que os investimentos, superiores a R$6,7 bilhões, possibilitem a criação de novos pólos industriais em toda a região sul. Em entrevista ao CORREIO no mês passado, quando falou da possibilidade de uma ponte que interligasse Salvador à Ilha de Itaparica,coma possibilidade de redução em 150 quilômetros da distância entre a capital e o sul do estado, o diretor da Bolsa de Valores da Bahia, Wilson Andrade, afirmou que a região “tem um potencial de crescimento econômico ainda inexplorado”.

“Ao fim da construção desse complexo multimodial, Ilhéus será um dos mais importantes pólos logísticos do país, escoando toda a produção do oeste brasileiro”, diz o diretor-executivo da Associação dos Usuários de Portos (Usuport), Paulo Villa. Contudo, ele considera que a medida não resolve por si só os gargalos existentes nos portos de Aratu e Salvador.

Já para o presidente da Associação Comercial de Ilhéus, José Leite,a maior importância dos projetos reside na geração de empregos. “Apenas com o porto, serão mais de dez mil novos empregos”, estima o empresário.

Ferrovia deve gerar dez mil empregos

Na ferrovia que ligará o oeste do país ao litoral sul baiano, cujos estudos de viabilidade técnica e ambiental já estão em andamento, serão investidos R$2,5 bilhões. A malha ferroviária ligará o Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Distrito Federal a Ilhéus.

“Empresas ligadas à produção de grãos, a exemplo das fabricantes de fertilizantes, deverão se instalar nas proximidades da ferrovia”, diz o presidente da Associação de Irrigantes do Oeste da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz. A ferrovia Oeste-Leste será utilizada, sobretudo, para transporte em granéis, com predominância de grãos, minérios e biocombustíveis produzidos nas regiões oeste, sudoeste e sul da Bahia.

Já para importação, a nova via férrea beneficiará o escoamento de fertilizantes e derivados de petróleo do litoral até o oeste do estado. A construção deve gerar mais de dez mil empregos. A interligação pela ferrovia deve criar uma nova via de comércio exterior que deve atrair os usuários de outros portos, cuja capacidade está saturada, a exemplo dos que estão localizados na região sudeste do país.

As obras para instalação da malha ferroviária começarão em junho de 2009. Informações do governo do estado dão conta que a entrega do trecho Ilhéus/Caetité da ferrovia será em julho de 2011 e outro trecho Caetité-Barreiras/São Desidério está previsto para julho de 2012.

O trecho de Barreiras/ São Desidério até Figueirópolis, no estado do Tocantins, deve ficar pronto em dezembro de 2012. O setor de minério de ferro será um dos beneficiados. Em Caetité foi descoberta uma imensa jazida cuja capacidade está estimada em quatro bilhões de toneladas de ferro. A Bahia Mineração Ltda (BML) prevê exportar 25 milhões de toneladas de minério de ferro em 2012.

Já a produção de grãos no cerrado deve saltar das atuais cinco milhões de toneladas para 15 milhões com o complexo multimodal. Segundo o secretário estadual de Planejamento, Ronald Lobato, a ferrovia é um sonho antigo que vai proporcionar a integração da Bahia com o Oeste brasileiro.

Mais de R$4,2 bilhões em investimentos

O Porto Sul consumirá recursos em torno de R$4 bilhões e vai se localizar numa área de 1.771 hectares, na localidade de Ponta da Tulha, no sentido Ilhéus-Itacaré. O complexo multimodal será formado por porto, retroárea portuária, ferrovia, rodovia, aeroporto, terminais turísticos e de carga alfandegária.

O terminal será também do tipo off shore, com a atracação das embarcações a três quilômetros da praia. “Queremos escoar por ano cerca de 90 milhões de toneladas”, afirma o secretário estadual do Planejamento, Ronald Lobato. Ele disse que a construção do porto não deverá ser afetada pela crise já que a previsão é que o terminal comece a operar em 2012.

Já os investimentos previstos para a construção de um novo aeroporto em Ilhéus são da ordem de R$200 milhões. O presidente Lula e o governador Jaques Wagner já assinaram termo de cooperação.

Nova fronteira petrolífera

Em novembro passado, a Petrobras e a companhia noruguesa StatoilHydro informaram que indícios de petróleo foram encontrados em um poço de exploração no prospecto de Lua Nova, na Bacia do Jequitinhonha. A região marítima, próxima do litoral, entre Ilhéus e Belmonte, é considerada prioritária para a empresa brasileira, que deslocou equipamentos do pré-sal para a Bacia do Jequitinhonha.

O poço é operado pela Petrobras, que tem 60% de participação, e pela StatoilHydro, que detém os 40% restantes. “Foi confirmada a presença de reservatórios de petróleo em arenitos do período cretáceo superior. Mais perfurações e análises serão feitas para determinar se a descoberta tem um potencial econômico positivo”, informou a nota divulgada à imprensa pela estatal.

“ O poço será perfurado em maiores profundidades, de acordo com o programa de exploração”, completa o comunicado. Esse foi o primeiro poço perfurado em águas profundas na Bacia do Jequitinhonha, com uma profundidade de 2.300 metros, mas que deve ultrapassar os cinco mil metros. O bloco está localizado a 74 quilômetros da costa da Bahia, em lâmina d’água profunda, 2.354 metros,com os reservatórios situados a aproximadamente 3.630 metros de profundidade.

A Petrobras informou, ainda, que a extensão da jazida e sua economicidade serão avaliadas posteriormente em Plano de Avaliação a ser proposto à ANP. “A Bacia do Jequitinhonha é considerada como fronteira exploratória, ou seja, é uma área ainda inexplorada, mas com grande potencial de conter acumulações comerciais de óleo e gás. Desse modo, há uma relativa prioridade nos trabalhos exploratórios na bacia”, afirmou o gerente geral de exploração e produção na Bahia, Antonio Rivas.

Segundo ele, caso seja configurado o potencial, é aberta a perspectiva de se tornar uma nova área produtora para a Petrobras.

PÓLO

Caso as descobertas no Pré-sal baiano sejam confirmadas, a região sul do estado deve se transformar, nos próximos anos, em um novo pólo de produção petrolífera do país, proporcionando grandes investimentos e a geração de milhares de empregos.

(Notícia publicada na edição de 21/12/2008 no CORREIO)

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